
Por: Redação
Enquanto a Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) tenta preservar a ordem e o respeito à hierarquia em tempos de desafios crescentes na segurança pública, um de seus próprios o deputado estadual Cabo Maciel (PL) tem se notabilizado por fazer exatamente o oposto: enfraquecer a instituição por dentro. Militar de carreira, hoje na reserva e ocupando uma cadeira no Legislativo estadual, Maciel tornou-se figura constante em confrontos verbais com o alto comando da corporação, protagonizando ataques públicos, declarações agressivas e uma clara tentativa de subverter a disciplina militar em nome de interesses políticos pessoais.
Na mais recente demonstração de desprezo pelos princípios da corporação à qual pertence, Maciel usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) para insultar o comandante-geral da PM, coronel David Brandão na época. Chamando-o de “pau mandado” e “fanfarrão”, o deputado insinuou que o oficial não teria autonomia e estaria agindo sob ordens do governo. O motivo? A convocação de 34 policiais militares que estavam cedidos à estrutura da própria ALE-AM, muitos ligados ao gabinete do próprio parlamentar, e que retomaram à atividade na segurança pública normal como manda o manual.
O episódio seria apenas mais um no histórico do deputado conhecido por se apresentar como defensor dos praças da PM se não fosse a reincidência e a gravidade das declarações. Em outras ocasiões, Maciel já acusou o comando da corporação de perseguir aliados, chamou o comandante de “fantoche do governo” e criticou abertamente outros oficiais superiores, rasgando, em público, os pilares da hierarquia e da disciplina que sustentam as instituições militares.
A política do confronto
O comportamento do deputado revela mais do que simples divergências administrativas. Trata-se de uma prática sistemática de deslegitimação do comando, alimentada por uma lógica de palanque permanente. Cabo Maciel, ao que parece, escolheu a trincheira da agressão para manter sua base eleitoral mobilizada. Mas a que custo?
Fontes da segurança pública apontam que o parlamentar age para preservar influência sobre lotações estratégicas dentro da PM-AM, especialmente mantendo aliados em cargos administrativos. Ao ver sua base ser deslocada de volta às ruas, Maciel reage como se estivesse sendo perseguido, quando, na verdade, apenas enfrenta uma medida de correção funcional.
Essa inversão de papéis em que o subordinado acusa o superior de “abusar da autoridade” por tentar exercer comando é perigosa. Ela não apenas mina o respeito institucional, mas também estimula a desordem entre os próprios policiais, que assistem ao espetáculo de um deputado-militar atacando seus superiores sem qualquer consequência visível.
Militar ou político: onde está o limite?
O caso de Cabo Maciel expõe um dilema cada vez mais presente no Brasil: até onde vai a imunidade parlamentar de militares eleitos, quando essa liberdade é usada para sabotar as instituições às quais pertencem?
Ainda que licenciado da função operacional, o deputado continua sendo regido pelo Estatuto dos Militares. E esse estatuto não prevê exceções para ataques à autoridade, insultos públicos ou tentativa de manipular comandos em benefício pessoal. Há, inclusive, quem argumente que tais ações deveriam motivar sanções disciplinares ou, ao menos, um questionamento sério sobre a compatibilidade de sua conduta com a condição de militar da reserva.
A Associação dos Oficiais da PM e do Corpo de Bombeiros do Amazonas (AOPBMAM), por exemplo, já emitiu notas públicas classificando suas falas como “levianas” e “prejudiciais à imagem da corporação”. E não estão errados. O que Maciel faz, repetidamente, é desmoralizar a cadeia de comando e lançar a instituição num conflito desnecessário e desgastante.
Cabo Maciel talvez acredite que seu papel é o de um “guardião das bases”, mas sua conduta tem se revelado mais como a de um incendiário político disposto a tudo para manter espaço e poder. Em vez de contribuir para o fortalecimento da tropa, alimenta o divisionismo. Em vez de apresentar soluções, agride. E, ao fazer isso como deputado estadual e ainda militar da reserva, transita perigosamente na linha tênue entre a liberdade de expressão e a insubordinação institucional.
Se nada for feito, o exemplo que deixa é claro: um militar pode desacatar seu comandante, sabotar a hierarquia e usar a tribuna para ameaçar a própria corporação e ainda assim manter prestígio político e funcional. Uma lição amarga para os que ainda acreditam na honra e no dever militar.


