
Por:Redação
Vítima foi espancada com socos e chutes e quase esganada. Caso expõe hipocrisia e violência institucional contra pessoas trans
Brasília (DF) – Um sargento da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), casado e conhecido entre colegas como “defensor da família e dos bons costumes”, está sendo investigado por agredir brutalmente uma travesti dentro de um motel localizado em Taguatinga Sul, região administrativa do Distrito Federal. O caso ocorreu na tarde da última quarta-feira (7) e é alvo de apuração tanto pela Corregedoria da PM quanto pela 21ª Delegacia de Polícia Civil.
De acordo com o registro da ocorrência e o depoimento da vítima, a confusão teve início durante um programa sexual. O militar, que teria pago R$ 89 em dinheiro vivo para evitar rastros, se descontrolou ao ser informado de que deveria pagar por tempo adicional. Segundo a travesti, ele já apresentava sinais de uso de drogas e reagiu com extrema violência após a cobrança.
Espancamento e tentativa de esganadura
No quarto, o sargento passou a agredir a vítima com socos, chutes e tentou esganá-la. Em um ato desesperado de defesa, ela quebrou uma garrafa de vidro e conseguiu feri-lo no braço com um caco, o que possibilitou sua fuga. Ela correu nua até a recepção do motel, onde pediu socorro.
veja o vídeo:
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A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados para conter a situação. Na abordagem, o sargento afirmou que a travesti teria jogado uma substância semelhante à cocaína dentro de seu veículo, o que a vítima nega. Ela, por sua vez, afirma que o militar já havia consumido entorpecentes antes do encontro.
O caso foi registrado como lesão corporal recíproca e porte de substância entorpecente para consumo pessoal.
Hipocrisia e violência estrutural
A conduta do sargento levanta um debate sobre a hipocrisia de agentes públicos que defendem em público valores tradicionais e conservadores, mas agem de maneira oposta em ambientes privados — muitas vezes com violência e abuso de poder.
Organizações LGBTQIA+ cobraram respostas imediatas da PMDF e das autoridades. “Esse é mais um caso que revela como pessoas trans estão constantemente expostas à violência, ao preconceito e à impunidade. A polícia precisa ser firme em combater esse tipo de conduta dentro da corporação”, afirmou um representante de uma ONG local.
A Polícia Militar do Distrito Federal informou, em nota, que a Corregedoria acompanha o caso e tomará as providências administrativas cabíveis. A identidade do sargento está sendo mantida em sigilo até o término da apuração.
Violência contra pessoas trans no Brasil
O Brasil segue como um dos países mais perigosos do mundo para pessoas trans, com altos índices de violência física, institucional e simbólica. Em muitos casos, como o deste episódio, essas agressões partem de agentes do Estado, em contextos que misturam preconceito, abuso de autoridade e impunidade.


