
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM) disse, nesta terça-feira (21), que o Senado irá tomar providências contra Jair Renan Bolsonaro, o filho mais novo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Isto porque o “filho 04” do presidente publicou em suas redes sociais um vídeo em que ele aparece visitando uma loja de armas e diz: “Alô, CPI”.
Para o senador Omar Aziz, o recado de Renan é uma “ameaça velada” contra a comissão. Ele afirmou ainda que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), se solidarizou com o colegiado e disse que o comportamento é inaceitável e absurdo. “Ele [Pacheco] vai tomar providencias como presidente do Senado. Não é uma coisa à parte, é uma coisa do núcleo todo do Senado”, afirmou.
A conduta de Jair Renan foi debatida durante os trabalhos da CPI desta terça-feira. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou um requerimento para convocar o filho de Bolsonaro a depor na CPI, mas até o momento o pedido não foi pautado pelo colegiado.
Até mesmo a base aliada de Bolsonaro criticou a atitude de Jair Renan. O senador Marcos Rogério (DEM-RO) disse que o comportamento foi “absolutamente inapropriado”, mas ponderou e defendeu que não era caso de convocação à CPI.
“Não é o caso de convocação. É algo absolutamente inapropriado. É caso de representação à autoridade competente para apuração e, quanto a isso, não tem nenhuma objeção da minha parte, embora na fala dele não tenha visto nenhuma ameaça”, disse.
Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou que o recado do filho do presidente é “uma clara tentativa de intimidação” ao Senado. “Por ser filho do presidente, ele teria que dar o exemplo de respeito às instituições, de respeito à democracia e ao Estado democrático de direito, e não fazer ameaças veladas, apresentando armas em loja”, criticou.
O relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que Jair Renan é mais um filho de Bolsonaro que não recebeu educação. “Essa ameaça é uma coisa estapafúrdia contra uma instituição parlamentar que, com todas as dificuldades que o Brasil vê, está fazendo a sua parte, cumprindo o seu papel. Isso é uma coisa absurda, absurda sob qualquer aspecto! E essas ameaças de um fedelho como esse não vão intimidar, de forma nenhuma, essa Comissão Parlamentar de Inquérito”, disse.
“Quem tem esse linguajar é marginal”, comentou ainda o senador Omar Aziz.


