Em Eirunepé, polícia usa trator como viatura para não se atolar em lama e pedestres sofrem com a falta de infraestrutura

Em Eirunepé (município distante 1.159 quilômetros de Manaus), população reclama das condições das ruas da cidade que, sem estrutura asfáltica nenhuma, tem dificultado a vida dos moradores. Na Estrada do Xidá, rua que dá acesso à escola de crianças especiais, secretaria de educação, delegacia, abatedouro e depósito de lixo da cidade a situação é crítica, segundo a população. O município é comandado pelo prefeito Raylan Barroso de Alencar (DEM).

De acordo com moradores, para transitar na rua sem se atolar em lama, a população tem usado tratores como meio de transporte. O delegado da cidade e sua equipe tiveram que trocar a viatura de polícia por um trator. O mesmo meio de transporte foi adotado por funcionários do abatedouro da cidade. Já os funcionários que fazem a coleta de lixo, todo dia enfrentam atolamento do caminhão quando vão descartar os resíduos.

Uma moradora, identificada como Daiana Souza Cavalcante, fez um desabafo em uma rede social, nessa terça-feira (18), e contou com detalhes as dificuldades que ela e sua família tem enfrentado todos os dias para irem a escola e ao trabalho, por exemplo. No texto, ela reivindica seu direito de ir e vir, que foram retirados pela falta de infraestrutura da cidade comandado pelo prefeito Raylan Barroso de Alencar.

“Ontem ao sair pra trabalhar encontrei um cidadão que disse, ‘professora, a senhora já devia ter uma bota’, como se fosse imposição por morar na estrada do Xidá. Não, eu não quero ter que usar bota, eu quero poder usar a sandália que eu preferir. Quero poder chegar no trabalho com a roupa limpa, quero poder chegar na escola do meu filho e não ter que levar um pano molhado pra limpar seu tênis e a calça. Ontem por misericórdia de Deus não quebrei a perna vindo trabalhar”, conta a moradora.

Segundo a moradora, não é só uma parte da rua que está em condições precárias, é a rua por completa. Ela reclama também que os transportes pesados que a população tem usado pioram ainda mais a situação para os moradores que precisam fazer o trajeto a pé. “Quem me conhece sabe do meu prazer em postar as belezas do meu lugar, da minha terrinha. Hoje é com dor no coração e já transbordando de tristeza e revolta que retrato a minha rua Estrada do Xidá”, desabafou a moradora.

“Sabemos que esses serviços precisam acontecer, mas nós moradores também precisamos ter o direito de sair pra trabalhar. Minha postagem não levanta bandeira de A ou B, esse é um desabafo de uma mãe, trabalhadora e cidadã que deseja ter o direito de ir e vir garantidos”, finalizou.