28.3 C
Manaus
terça-feira, 29 de setembro de 2026

Ex-diretor da Semed de Manacapuru é indiciado pela Polícia Civil suspeito de desviar salários de funcionária fantasma

O ex-diretor do Departamento Administrativo da Secretaria Municipal de Educação de Manacapuru (Semec), Raimundo Nonato da Costa Bastos, foi indiciado pela Polícia Civil suspeito de participar de um esquema que teve o objetivo de desviar salários de uma mulher, que afirma nunca ter trabalhado na Prefeitura de Manacapuru foram direcionados para uma conta bancária de titularidade do ex-servidor.

Os documentos analisados pela investigação apontam que a mulher foi registrada como auxiliar de serviços gerais da Prefeitura em três períodos: de agosto a dezembro de 2020, de janeiro a dezembro de 2021 e de abril de 2022 a janeiro de 2023. Os registros indicam ainda lotações em unidades da rede municipal de ensino.

Segundo o depoimento prestado à polícia, a mulher descobriu os vínculos em junho de 2026, quando procurou uma agência da Caixa Econômica Federal para sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e foi informada sobre uma pendência em seu CPF.

Depois, ela procurou um escritório de contabilidade e descobriu rendimentos salariais atribuídos a seu nome pela Prefeitura. Ao buscar esclarecimentos na administração municipal, recebeu cópias de contracheques que indicavam os pagamentos, mas apontavam para outra conta bancária.

A Polícia Civil informou que a conta indicada nos documentos pertence a Raimundo Nonato. O banco confirmou a titularidade por meio de ofício encaminhado à investigação.

De acordo com o depoimento da mulher, documentos pessoais, como RG, CPF, carteira de trabalho e comprovante de residência, foram entregues durante a campanha eleitoral de 2020, após a promessa de uma contratação pela Prefeitura. Ela afirmou, contudo, que nunca foi chamada para exercer função pública.

Durante a investigação, a Prefeitura de Manacapuru informou à polícia que a mulher integrava o quadro da Semec e teria trabalhado nas unidades escolares indicadas nos registros funcionais. A versão diverge do depoimento da mulher.

Raimundo Nonato declarou à polícia que ocupava o cargo de diretor do Departamento Administrativo da Semec desde 2017 e era responsável por procedimentos de contratação, formalização de processos e encaminhamento ao setor financeiro. Ele disse não se lembrar da contratação da mulher e afirmou que acreditava que os valores depositados em sua conta correspondiam ao próprio salário ou a verbas indenizatórias.

Para a Polícia Civil, a função exercida pelo então diretor nos processos de contratação e o direcionamento dos pagamentos para uma conta de sua titularidade indicaram autoria e materialidade do crime. O delegado John Allan Cunha Castilho indiciou Raimundo pelo artigo 312 do Código Penal, referente ao peculato-desvio.

O relatório final do inquérito foi assinado em 24 de agosto de 2026 e encaminhado à Justiça para manifestação do Ministério Público. O documento ressalta que a capitulação jurídica pode ser posteriormente modificada pelo Ministério Público ou pelo Poder Judiciário.

Em 26 de agosto, a Prefeitura de Manacapuru exonerou Raimundo Nonato. A administração informou que tomou conhecimento da investigação por comunicação da Polícia Civil e que colaborou com as autoridades.

Segundo a Prefeitura, uma sindicância foi instaurada após a comunicação do caso. O procedimento foi encaminhado à Procuradoria do Município, que recomendou o afastamento do servidor. Até a última atualização da reportagem, Raimundo Nonato não havia respondido ao contato do g1 para comentar as acusações.