
Iniciativa une pesquisa, turismo, cultura e tecnologia para fortalecer o sentimento de pertencimento da população
Entre ruas, memórias e construções históricas do Centro de Manaus, um projeto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) vem transformando a forma como moradores e visitantes enxergam essa área da cidade. Intitulada “Se Essa Rua Fosse Minha: Conhecer para Reconhecer”, a iniciativa reúne pesquisa, educação patrimonial, cultura, turismo e tecnologia para divulgar a história das vias do Centro Histórico da capital amazonense.
O projeto busca apresentar informações de maneira didática e recreativa, aproximando o público do patrimônio cultural e turístico presente nas ruas da cidade. A proposta vai além da divulgação de conteúdos, pretende valorizar os logradouros e criar vínculos entre moradores, turistas e a memória coletiva de Manaus, fortalecendo sentimentos de pertencimento, reconhecimento e valorização cultural.
Coordenado pela Prof.ª Turismóloga Márcia Raquel Cavalcante Guimarães, o projeto é vinculado ao Observatório de Turismo da UEA, localizado na Escola Superior de Artes e Turismo (Esat). A iniciativa surgiu a partir da necessidade de desenvolver pesquisas com metodologia própria voltadas à cultura e ao patrimônio, além de representar a materialização da tese de doutorado da docente.
O principal canal de comunicação com o público tem sido o Instagram. Por meio de carrosséis e reels, o perfil do projeto apresenta conteúdos organizados em quadros temáticos e dinâmicos, que ajudam a construir tanto a identidade visual quanto a própria pesquisa desenvolvida pela equipe. A escolha da plataforma vem da experiência com a página do Observatório de Turismo da UEA. Hoje, o perfil @seessarua_ soma milhares de visualizações nas publicações e mantém interação frequente com os usuários.
As postagens são divididas em quadros temáticos. O “Ruas Ladrilhadas” apresenta o histórico, as nomenclaturas e as mudanças urbanas das vias. Já o “Trilhando o Patrimônio” aborda conceitos ligados à educação patrimonial, cultura e turismo. O quadro “No Ritmo da Rua” destaca festividades populares registradas em fontes históricas, enquanto o “Vozes da Rua” reúne relatos e memórias de moradores, empresários, historiadores, pesquisadores e frequentadores do Centro Histórico.
Segundo a professora Márcia Raquel, o projeto tem despertado no público um novo olhar sobre as vias e sua importância na construção da identidade da cidade. “Você passa por essa rua e não sabe a importância que ela tem na sua vida, e a nossa proposta é mostrar o quanto ela cresceu e lançar esse olhar para as ruas. Então, é uma alegria ver a materialização da minha tese de doutorado, da minha dissertação, na prática e, também, ver os alunos de Turismo se envolvendo, outras pessoas se envolvendo e elas criando esse sentimento de pertencimento”, finalizou.
Os interessados podem acompanhar as atividades do projeto pelo perfil @seessarua_, no Instagram.
Escolha das ruas
A primeira etapa do projeto foi desenvolvida na Avenida Sete de Setembro e na Avenida Eduardo Ribeiro e demais ruas localizadas no entorno do Museu da Cidade de Manaus (Muma), no Paço da Liberdade, Centro da capital.
A seleção das vias e o levantamento das informações catalogadas são realizados a partir de uma ficha observacional elaborada pela professora Márcia Raquel, baseada em quatro dimensões de identificação: dimensão normativa, dimensão morfológica de conjunto, dimensão interpretativa patrimonial e dimensão turística.
Apesar do foco atual nas ruas do Centro Histórico, a metodologia criada pela docente pode ser aplicada em diferentes localidades. A expectativa para a próxima fase do projeto é ampliar os estudos para as vias ao redor do Teatro Amazonas.
Nome inspirado em cantiga popular
“Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar…”
A tradicional cantiga popular infantil inspirou o nome do projeto. De acordo com a professora, a ideia de associar a iniciativa à música reforça a importância das vias urbanas na construção social, patrimonial e turística de Manaus, além de instigar no público uma relação afetiva e de pertencimento com as ruas da cidade.
Equipe
Junto à professora Márcia Raquel, o projeto também conta com a participação da turismóloga Nicete Ramos, egressa do curso de Turismo da UEA e responsável pelas redes sociais da iniciativa; da estudante Rafaela Duarte, aluna do curso de Turismo da UEA; e da turismóloga Julliana Vaz, também egressa da universidade.
A iniciativa foi contemplada pelo Programa de Apoio ao Influenciador Científico em CT&I (Pop Ciência), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do edital n.º 018/2024. O programa incentiva ações de divulgação científica e fortalecimento do engajamento público por meio de plataformas digitais e estratégias de comunicação acessíveis.



