
A permanência de três vereadores cassados pela Justiça Eleitoral no município de Iranduba tem gerado forte repercussão política e institucional, sendo interpretada por setores locais como um desafio direto às decisões do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas e do Tribunal Superior Eleitoral.
Raimundo Carneiro, Bruno Lima e Reginaldo Santos foram condenados por fraude à cota de gênero nas eleições de 2024 prática que consiste no uso de candidaturas fictícias femininas, famosas “laranjas”, para cumprir formalmente a exigência legal. Mesmo após a cassação, os parlamentares seguem exercendo normalmente seus mandatos por meio de recursos judiciais.
Clima de afronta e declarações polêmicas
Nos bastidores políticos e segundo relatos que circulam na cidade, o clima entre os parlamentares seria de enfrentamento aberto às instituições eleitorais. Após a tramitação de um projeto de lei, vereadores teriam comemorado a manutenção no cargo com declarações consideradas graves, afirmando, em tom de deboche:
“Aqui quem manda somos nós, não é a Justiça Eleitoral.”
As falas, ainda que não oficialmente registradas, reforçam a percepção de desgaste institucional e levantam questionamentos sobre o respeito às decisões judiciais.

Impacto financeiro e administrativo
Desde a cassação, cada vereador já teria recebido mais de R$ 60 mil em salários pagos com recursos públicos, mesmo sob a condição de condenados em primeira instância eleitoral. Além disso, denúncias apontam que os parlamentares continuam participando ativamente de votações e decisões no Legislativo municipal.
Há também relatos de que projetos considerados essenciais estariam sendo travados, especialmente aqueles ligados à gestão de resíduos sólidos um dos problemas mais críticos da cidade.

Crise ambiental agrava cenário
Enquanto o impasse jurídico se arrasta, a população de Iranduba enfrenta um problema histórico: um lixão a céu aberto que, segundo relatórios técnicos, acumula cerca de 30 anos de contaminação ambiental, sem sistema adequado de drenagem de chorume.
Especialistas alertam para riscos sanitários graves, incluindo contaminação do solo e da água, além da proliferação de doenças.
A implantação de um aterro sanitário adequado é considerada urgente por moradores, mas depende diretamente de decisões políticas que seguem paralisadas.
Desgaste institucional
O caso expõe um cenário de fragilidade institucional, onde decisões da Justiça Eleitoral enfrentam resistência prática no âmbito local. A continuidade dos vereadores no cargo, mesmo após condenação, levanta questionamentos sobre a efetividade dos mecanismos de controle e o tempo de resposta do sistema judicial.
Nos bastidores, cresce a expectativa de que órgãos como o Ministério Público e instâncias superiores do Judiciário possam intervir para garantir o cumprimento das decisões e restabelecer a normalidade institucional no município.


