
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) divulgou, nesta sexta-feira (20), novos detalhes da operação “Erga Omnes”, que investiga a infiltração de integrantes do crime organizado em estruturas públicas e privadas no Amazonas. Segundo a corporação, o líder apontado como articulador do esquema é Allan Kleber Bezerra Lima, identificado como liderança do Comando Vermelho (CV), atualmente foragido.
De acordo com a investigação, o grupo teria movimentado mais de R$ 73 milhões entre 2018 e 2025 no estado, por meio de práticas como lavagem de dinheiro e utilização de estruturas formais para ocultação de valores ilícitos.
Igreja usada como fachada
Conforme a Polícia Civil, Allan Kleber se apresentava como líder religioso e utilizava uma igreja evangélica no bairro Zumbi, zona Leste de Manaus, para reduzir suspeitas sobre sua atuação criminosa. A corporação sustenta que o espaço religioso era explorado como fachada para dar aparência de legalidade às atividades do grupo.
Relatos colhidos na investigação indicam que ele mantinha presença frequente nos cultos, reforçando a imagem pública de liderança religiosa. Após a deflagração da operação, porém, deixou de ser visto no local e é considerado foragido.
Servidores públicos presos
A operação também resultou na prisão de 14 pessoas, incluindo servidores públicos e ex-ocupantes de cargos estratégicos. Entre os nomes divulgados está Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete na Prefeitura de Manaus durante a gestão do prefeito David Almeida. Ao todo, 11 investigados seguem foragidos, segundo a PC-AM.
O inquérito está sob responsabilidade do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que apura possíveis crimes de:
• Organização criminosa
• Lavagem de dinheiro
• Corrupção ativa e passiva
• Tráfico de drogas
• Violação de sigilo funcional
Investigação em andamento
A Polícia Civil afirma que a apuração revelou um núcleo estruturado de apoio logístico e financeiro ao CV no Amazonas, com ramificações que alcançariam agentes públicos e operadores privados.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre os investigados. A defesa dos citados ainda pode se manifestar no curso do processo, e o caso segue sob investigação.
A operação “Erga Omnes” continua em andamento, com diligências para cumprimento dos mandados pendentes e rastreamento de ativos vinculados ao grupo


