
A poucos meses do calendário eleitoral, o prefeito de Manaus, David Almeida, parece travar uma corrida contra o tempo para tentar reverter o que já é considerado, nos bastidores políticos e nas ruas da cidade, a maior rejeição popular da história recente da capital amazonense.
O cenário que se desenha é de desgaste acelerado, marcado por uma tentativa intensa de reconstrução de imagem, enquanto a realidade vivida pela população aponta para um distanciamento cada vez maior entre o discurso oficial e o cotidiano das ruas.
Entre as estratégias adotadas pela gestão, destaca-se a chamada “operação verdade”, que, na prática, tem sido percebida por parte da população como uma tentativa artificial de reconfigurar a imagem do governo municipal. Soma-se a isso a propaganda em torno das vagas em creches, que, segundo o sindicato ASPROM, não passa de uma farsa, distante da realidade enfrentada por milhares de famílias manauaras.
Outro eixo central do discurso da prefeitura é o programa “Asfalta Manaus”, que, apesar da ampla divulgação institucional, não chega de forma efetiva aos bairros periféricos. Da mesma forma, a entrega de escolas tem sido marcada por intervenções superficiais, limitadas, em muitos casos, à pintura de prédios, sem investimentos estruturais consistentes na educação pública.
No campo político, observa-se ainda a articulação para formação de novas alianças partidárias e a busca pelo respaldo do governador Wilson Lima, numa tentativa de criar um ambiente favorável à recuperação de sua imagem pública e à sobrevivência política no cenário eleitoral que se aproxima.
Entretanto, o desgaste do prefeito não se limita à opinião pública. David Almeida enfrenta também a rejeição do chamado “clero político”, passando a ser visto por aliados e lideranças tradicionais como um político sem palavra e marcado pela imagem de traidor, especialmente após o rompimento e o distanciamento político em relação ao senador Omar Aziz. Esse episódio consolidou a percepção de fragilidade de compromissos e de instabilidade nas alianças que sustentavam sua base política.
Além disso, o prefeito enfrenta o desgaste junto à própria mídia. Veículos de comunicação que anteriormente apoiaram sua gestão passaram a se distanciar, após se sentirem politicamente traídos e excluídos do projeto de poder do prefeito. O resultado é um isolamento progressivo, no qual antigos aliados políticos e mediáticos se transformaram em críticos ou observadores distantes de sua gestão.
O que se vê, contudo, é um gestor que tenta, a qualquer custo, resgatar a credibilidade e a simpatia junto ao povo que o elegeu, mas encontra uma realidade oposta. Nas ruas, multiplicam-se relatos de vaias e manifestações de insatisfação popular. Nas redes sociais, a maioria esmagadora dos comentários estimada por apoiadores e críticos como superior a 90% é de reprovação à sua gestão.
O desgaste político parece atingir, inclusive, espaços tradicionalmente associados à construção de capital simbólico, como comunidades religiosas e grupos sociais, onde a figura do prefeito já não encontra o mesmo acolhimento de outros tempos.
Além da percepção popular nas ruas e nas redes sociais, dados de pesquisas reforçam o cenário de desgaste. Diversos institutos de pesquisa mediram a rejeição do prefeito, que ultrapassou a marca de 70%, um índice considerado extremamente elevado para um gestor em exercício. Nos bastidores políticos, esse número é interpretado como um sinal claro de ruptura entre a gestão municipal e a população de Manaus, evidenciando uma crise de confiança difícil de ser revertida a curto prazo.
O diagnóstico que se impõe é claro: David Almeida enfrenta um processo acelerado de erosão política. E, na política, a rejeição popular costuma ser implacável. Quando a população rompe o vínculo de confiança, a reconstrução da imagem se torna extremamente difícil e, em muitos casos, irreversível.
Se mantida a atual trajetória, o prefeito pode estar caminhando não apenas para uma derrota eleitoral, mas para uma aposentadoria política precoce, marcada por um afastamento definitivo do protagonismo que um dia conquistou em Manaus tornando-se, na prática, uma carta fora do baralho do jogo político local.


