
Aliados afirmam que secretário de Cultura teria mais influência que a própria esposa do prefeito e age para concentrar poder, criando uma “bolha de proteção” ao redor do chefe do Executivo
A gestão municipal de Iranduba atravessa um dos momentos mais turbulentos dos últimos anos, marcada por disputas internas, desgaste político e um crescente isolamento do prefeito. No centro da crise, segundo relatos de aliados e fontes próximas ao governo, estaria o secretário municipal de Cultura e motorista particular do prefeito, Moisés Lopes, apontado como o principal causador da divisão interna e da queda de popularidade do chefe do Executivo.
De acordo com aliados históricos da gestão, Moisés teria alcançado um nível de influência considerado excessivo, a ponto de, segundo essas fontes, “ter mais moral e poder de decisão do que a própria esposa do prefeito dentro da administração”. A avaliação interna é de que o secretário passou a controlar o acesso ao prefeito, filtrar informações e interferir diretamente em decisões estratégicas do governo.
Declarações, boatos e desgaste político
Segundo relatos de bastidores, Moisés Lopes teria sido o responsável por propagar a informação de que a secretária municipal de Saúde e primeira-dama, Luana Ferraz, estaria prestes a desistir de uma possível candidatura à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). As declarações, feitas em ambientes informais, causaram forte repercussão negativa e ampliaram o clima de instabilidade política.
Aliados avaliam que a disseminação desse tipo de informação contribuiu diretamente para o enfraquecimento da imagem do prefeito e para o aumento das tensões dentro do primeiro escalão.
Reunião tensa e cobrança direta
Após tomar conhecimento das declarações, o prefeito teria convocado Moisés para uma reunião reservada. Fontes que tiveram acesso aos bastidores afirmam que o encontro foi marcado por tom duro e cobrança direta.
“Moisés, você tem que ter mais responsabilidade. Você bebe e fica falando as coisas por aí”, teria dito o prefeito, segundo relatos.
O episódio evidenciou o nível de desgaste interno e expôs fissuras profundas na condução política da gestão.
Obsessão por poder e projeto pessoal
Aliados afirmam ainda que a obsessão de Moisés Lopes pelo poder e pela proximidade com o prefeito teria ultrapassado os limites do razoável. Segundo essas fontes, o secretário teria abandonado o próprio casamento para dedicar mais tempo ao projeto político que considera seu grande objetivo: ser o próximo vice-prefeito de Iranduba.
Nos bastidores, Moisés teria confidenciado que já estaria definido como o indicado a vice-prefeito, enquanto Robson Adriel seria o nome escolhido para disputar a prefeitura, decisão que, segundo ele, partiria diretamente do atual prefeito.
“Essa é a escolha do prefeito”, teria afirmado Moisés em tom de desafio a aliados.
Em outra conversa atribuída ao secretário, ele teria se colocado como figura central da administração:
“Eu sou o guru e conselheiro do prefeito. Hoje eu gozo de favores e privilégios porque sei muita coisa.”
“Bolha de proteção” e isolamento do prefeito
Uma das críticas mais recorrentes entre aliados é de que Moisés teria criado uma espécie de bolha de proteção ao redor do prefeito, isolando-o de opiniões divergentes, críticas construtivas e do contato direto com a base política e a população.
Segundo esses relatos, o prefeito estaria cada vez mais dependente das orientações e filtros impostos por Moisés, o que teria contribuído para decisões mal avaliadas e para o distanciamento da gestão em relação às ruas.
Ofertas de terrenos e questionamentos
Ainda conforme fontes ouvidas pela reportagem, Moisés teria mencionado possuir bens e influência, chegando a oferecer terrenos em um loteamento recente, o que causou estranheza entre interlocutores e levantou questionamentos sobre a origem desses supostos privilégios e sobre o uso político dessa influência.
Embora não haja, até o momento, comprovação documental dessas afirmações, o impacto político das declarações já teria sido suficiente para aprofundar a crise e gerar desconforto entre secretários, vereadores e aliados do governo.
Gestão fragilizada e futuro incerto
O episódio ocorre em meio a um cenário de queda de popularidade do prefeito e de incertezas eleitorais. A possível desistência de Luana Ferraz da disputa por uma vaga na Aleam, mesmo sem confirmação oficial, passou a ser explorada politicamente e ampliou a percepção de desorganização interna.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que a permanência de Moisés Lopes no centro das decisões pode aprofundar ainda mais a crise, fragilizar a gestão e comprometer os projetos eleitorais do grupo político no município.


