
A vida pública de Coronel Alfredo Menezes deixou há muito tempo de ser apenas uma sequência de campanhas eleitorais mal-sucedidas para se tornar um histórico marcado por decisões da Justiça, denúncias de propaganda irregular, acusações de desinformação e conflitos partidários que chamam atenção de órgãos de controle e da própria classe política.
Ex-superintendente da Suframa, Menezes ganhou projeção ao comandar a autarquia mais estratégica da economia regional, mas ao migrar para a política partidária passou a enfrentar uma série de embates jurídicos e desgaste público que colocam em xeque seus métodos.
Na eleição de 2020 para a Prefeitura de Manaus, Menezes colecionou derrotas nos tribunais eleitorais antes mesmo do resultado nas urnas.
A Justiça Eleitoral determinou a retirada de peças publicitárias de sua campanha consideradas irregulares e aplicou sanções por veiculação de conteúdo classificado como enganoso. Entre os pontos questionados, estavam afirmações sobre suposto “faturamento bilionário” da Suframa e vídeos de ataque a adversários políticos, posteriormente caracterizados como calúnia e desinformação.
As decisões incluíram multas, exclusão imediata do material e concessão de direito de resposta aos atingidos, expondo um padrão de abuso dos limites legais da propaganda.
Ainda em 2020, surgiram representações questionando impulsionamento pago nas redes sociais em favor de Menezes sem o registro adequado na contabilidade de campanha. O caso levantou suspeitas sobre transparência de gastos e abriu apurações no âmbito do Ministério Público Eleitoral, colocando sob holofotes a forma como o candidato usou plataformas digitais para alavancar sua imagem.
Na prática, o discurso político passou a esbarrar repetidamente em decisões judiciais, desenhando uma campanha que avançava mais por polêmica do que por propostas.
Com a derrota em Manaus e nova tentativa frustrada ao Senado em 2022, o desgaste se aprofundou quando reportagens passaram a associar Menezes à circulação de narrativas que atacavam o sistema eleitoral e questionavam o resultado das urnas.
Nesse contexto, a Polícia Federal foi citada como responsável por apurações relacionadas ao fluxo e à disseminação de conteúdos potencialmente falsos. O político reagiu dizendo ser vítima de montagens e chegou a registrar ocorrência alegando manipulação de áudios, mas os episódios reforçaram a associação de seu nome ao ecossistema de desinformação que tensionou a democracia após as eleições.
Em 2023, o conflito interno no Partido Liberal atingiu seu ápice com a expulsão de Menezes da legenda sob alegação de infrações disciplinares e quebra de regras internas. O caso foi parar na Justiça, que suspendeu provisoriamente a decisão, mas a ruptura política já estava consolidada.
No ano seguinte, Menezes deixou de vez o partido e se filiou ao Progressistas, numa tentativa explícita de sobreviver politicamente e retomar espaço na disputa eleitoral.
Mesmo sem condenação criminal por corrupção até o momento, o histórico público de Menezes reúne um conjunto pesado de fatos: propaganda irregular confirmada por decisões judiciais, conteúdos classificados como fake news, representações por impulsionamento ilegal, ruptura partidária e suspeitas ligadas à desinformação política.
Especialistas ouvidos por veículos regionais apontam que o padrão recorrente de embates judiciais indica não erros pontuais, mas uma estratégia política baseada no confronto institucional e na exploração de limites legais da comunicação eleitoral.
Ainda assim, Menezes segue anunciando projetos eleitorais e fala abertamente em disputar o pleito de 2026, seja para a Câmara, o Senado ou até o governo estadual.
A insistência na volta ao poder, apesar do passivo jurídico e político, expõe uma contradição que não passa despercebida: enquanto se apresenta como alternativa “moral” e “renovadora”, carrega uma biografia marcada por sanções, derrotas judiciais e suspeitas que não desapareceram com a troca de partido.
O caso de Coronel Menezes se tornou simbólico de uma política que testa instituições, relativiza a verdade e transforma o embate judicial em ferramenta de campanha.
Para o eleitor, a pergunta que permanece não é apenas quem ele promete ser, mas quem de fato demonstrou ser quando teve poder, visibilidade e recursos públicos ao alcance das mãos.
A resposta não está nos discursos, mas nas decisões judiciais que o acompanham.


