
Manaus vive nesta quinta-feira (13/11) um dia histórico de greve geral da educação municipal. Professores, pedagogos e servidores da rede pública tomaram a frente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) em um ato de indignação e resistência contra o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 08/2025, de autoria do prefeito David Almeida (Avante) apelidado pela categoria de “PL da Morte”.
A proposta, que aumenta o tempo de contribuição e a idade mínima para aposentadoria dos servidores, foi aprovada na Casa Legislativa sob protestos e forte repressão aos educadores. Para a categoria, a lei representa um ataque direto aos direitos adquiridos e à dignidade de quem dedica a vida à educação pública.

Desde as primeiras horas da manhã, centenas de professores e pedagogos se concentram em frente à CMM com faixas, cartazes e palavras de ordem. A mensagem é clara: “Sem respeito, não há aula. Sem diálogo, há greve!”.
“O prefeito e os vereadores nos humilharam, ignoraram nossas reivindicações e votaram uma lei que destrói o futuro dos trabalhadores. Hoje estamos aqui para mostrar que a educação não vai se calar”, declarou Lambert Melo, coordenador jurídico da ASPROM/Sindical.
A ASPROM/Sindical, que lidera o movimento, confirmou que a greve será mantida por tempo indeterminado até que a Prefeitura de Manaus revogue o PLC 08/2025 e abra um canal efetivo de negociação. Entre as principais reivindicações estão:
• A revogação imediata da “PL da Morte”;
• Respeito ao direito à aposentadoria justa;
• Valorização salarial e melhores condições de trabalho;
• Fim das medidas de repressão e perseguição aos servidores em greve.
O clima é de revolta e união, mas também de profunda mágoa com o comportamento do prefeito David Almeida e dos vereadores que aprovaram o projeto sem ouvir a base da educação. Muitos educadores classificam a atitude como uma traição política e moral, um gesto de desprezo com quem forma as novas gerações.
“É triste ver o prefeito e vereadores virarem as costas para quem carrega a educação nas costas. O que eles aprovaram não é uma reforma, é uma sentença de sofrimento”, disse uma professora da zona Leste.
Enquanto os servidores protestam do lado de fora, a Câmara Municipal permanece cercada por guardas municipais e policiais, o que tem sido visto como mais um símbolo da distância entre o poder público e o povo que o sustenta.


A greve da educação marca o início de um novo capítulo de enfrentamento entre o funcionalismo municipal e a gestão David Almeida, que vem acumulando críticas por decisões autoritárias e falta de diálogo com as categorias.
A categoria promete resistir. “A cidade precisa saber que o que está acontecendo aqui é mais do que uma greve. É uma luta pela dignidade de quem ensina, e pelo futuro de Manaus”, disse outro professor durante o ato.


